Melhores resultados, menos marcas

O entrevistado desta edição é o introdutor do Botox® no Brasil, o cirurgião plástico Paulo Keiki Matsudo, secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia a Laser.

Em 1996, o Dr. Paulo Keiki Matsudo publicou na revista Aesthetic Plastic Surgery os resultados do primeiro trabalho científico realizado no Brasil, a partir de 1992, com a toxina botulínica para fins cosméticos. O estudo envolveu 21 pacientes e demonstrou excelentes resultados da aplicação do Botox®.

P: Quando o Sr. soube da existência do Botox®?
R: Sempre procurei dentro da cirurgia plástica utilizar técnicas que resultassem o menor número de incisões possíveis. Além disso os pacientes sempre reclamavam do aparecimento de rugas após a cirurgia por causa da dinâmica da expressão. O Botox® nasceu de uma necessidade de obter melhores resultados com menos cicatrizes.

Em 1990, durante um congresso de cirurgia plástica em Boston foi apresentado um trabalho de cirurgia reparadora para a correção da assimetria do ramo submandibular com o uso do Botox®. Já estava indo embora da cidade e mudei meu vôo para assistir essa apresentação. Saí de lá com a certeza de que tinha achado uma pista para resolver essas questões e fui pesquisar o produto.

Consultei meu irmão que é especialista em Medicina esportiva, e descobri que o Botox® constava na lista de medicamentos do Comitê Olímpico para tratar o torcicolo. No final de 1991, começei a aplicar o produto na face de pacientes com ótimos resultados.

P: Quando iniciou sua pesquisa com Botox®?

R: Em 1992, quando não havia trabalho publicado no Brasil nesse sentido, realizei um estudo com 21 pacientes, homens e mulheres, para rugas faciais nas regiões periorbital, frontal e glabelar, obtendo sensível melhora destas. Em 1994, o trabalho foi submetido à apreciação do Comitê Científico do Congresso da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. O estudo foi selecionado e apresentado no congresso do ano seguinte, em Nova York. Por conta disso, o estudo foi publicado na revista Aesthetic Plastic Surgery de 1996.

P: Como foi o seu trabalho?

R: Para se ter uma idéia, todos os pacientes eram fotografados pelo mesmo fotógrafo, na mesma posição e com a mesma quantidade de luz.

Numa sessão de fotos após a aplicação, o fotógrafo pediu que uma paciente franzisse a testa e assim ela o fez.

Como ele não notou a presença de rugas, começou a insistir para que ela franzisse, a paciente não gostou muito e acabou brigando com o fotógrafo.

P: Quais foram os resultados deste trabalho?

R: Há uma outra história interessante sobre esse estudo. Perguntei a uma senhora que recebeu a aplicação da substância o que ela achou do tratamento e ela respondeu que, depois do Botox®, ninguem mais a obedecia. Em resumo, obtive excelentes resultados, com uma substancial melhora das rugas em todos os pacientes.

P: Enfrentou desconfiança no seu meio no começo? Como venceu isto?

R: Quando fiz a apresentação do meu estudo no Congresso de Cirurgia Plástica e Estética em Nova York pude sentir uma incredulidade da platéia, como é de se esperar com relação a tudo que é novo. Não temi as críticas, pois sabia que tinha base científica. O tempo foi o senhor da razão e hoje o Botox® está aí, sendo utilizado amplamente em todo o mundo. Para se ter uma idéia, em 1998, ministrei 40 cursos e, para 1999, já tenho mais de 10 convites agendados.

P: Em sua opnião, quais as vantagens do Botox®?

R: O Botox® veio para se associar à cirurgia plástica, para oferecer um upgrade de resultados. Trata-se de um método seguro, prático, que adia o encontro dos pacientes com a pinça e o bisturi. Além disso, não existe a necessidade de exames laboratoriais, internações, retirada de pontos, podendo o mesmo se realizar no consultório em dez minutos.

P: O Sr. acredita que o Botox® ofereça bons resultados em pessoas acima de 50 anos?

R: Tenho uma paciente de 72 anos que está super feliz com os resultados que as aplicações de Botox® têm proporcionado. Porém cada caso é um caso. Sempre devemos estar atentos às aspirações dos nossos pacientes, por meio de uma consulta minuciosa.

P: Quais os riscos do Botox®?

R: Quando bem indicado e bem aplicado, o Botox® não oferece riscos. É preciso que o médico participe de cursos para aprender a utilizar a substância, fazer as indicações precisas, aplicar as dosagens exatas e nos locais certos.

P: O Sr. tem combinado a técnica de Botox® ao laser? como é isto?

R: Os dois métodos se complementam e, juntos, oferecem o resultado ideal, pois o Botox® relaxa a musculatura e o laser alisa a pele marcada pela movimentação crônica.

P: Quais as outras áreas em que o Botox® tem sido aplicado para corrigir rugas?

R: Atualmente, estou estudando a aplicação do Botox® para a ruga de pescoço e perioral (as famosas marcas do fumante, que vincam o lábio superior). O trabalho deverá ser publicado ainda este ano, bem como a potencialização da duração dos resultados por meio da associação a outras substâncias, o que deve diminuir o custo do tratamento aos usuários.

Fonte: Revista Face a Face